sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010




O meu coração nasceu nu,
logo em fraldas embalado.
Só mais tarde usou
poemas em vez de roupas.
Tal como a camisa que punha
levava sobre o corpo
a poesia que lera.

Vivi meio século assim
até que, sem uma palavra, nos encontrámos.

A minha camisa nas costas da cadeira
diz-me que hoje percebi
quantos anos
a decorar poemas
esperei por ti.
John Berger





Agora que o sonho se dissolveu fiquei a tremer no corredor. As coisas parecem empalidecer. Vou à biblioteca procurar um livro qualquer, ler e olhar em volta; ler de novo e depois olhar outra vez. Este poema fala de uma sebe. Vou descer por ela e colher flores de abóbora e de espinheiro cor de luar, rosas bravas e ramos de hera. Vou agarrá-las bem nas minhas mãos e pousá-las no tampo da secretária. Vou sentar-me na margem trémula do rio a olhar os grandes nenúfares brilhantes que espalham sobre o carvalho que domina a sebe a sua luz húmida como um raio lunar. Vou colher flores, entrançá-las numa grinalda e oferecê-las. - Oh, a quem? Surge um obstáculo no fluxo do meu ser; o rio profundo esbarra em qualquer coisa; empurra; puxa; no centro há um nó que não cede. Ah, esta dor, esta angústia. Desfaleço, perco a consciência. Agora, o meu corpo funde-se; estou liberta, incandescente. Agora, o rio espande-se numa imensa maré fértil, rompendo os diques, insinuando-se à força nas fendas, inundando livremente a terra. A quem darei tudo o que flui através de mim, através da argila tépida e porosa do meu corpo? Vou fazer uma grinalda com as minhas flores e oferecê-la - Oh, mas a quem? No paredão vagueiam marinheiros e pares de amantes; os autocarros arfam ao passar no cais a caminho da cidade. Quero dar; quero enriquecer alguém; quero devolver ao mundo toda esta beleza. Enlaçar as minhas flores numa única grinalda e avançar com ela na mão estendida, oferecendo-a - Oh, mas a quem?

Virginia Woolf





i want you
i know i'm going to feel this way until you kill it



Todo o meu ser é um cântico negro
que te levará
fazendo-te durar
ao despertar dos crescimentos e florescimentos eternos
neste cântico eu suspirei tu suspiraste
neste cântico
eu acrescentei-te à árvore à água ao fogo.

A vida é talvez
uma rua comprida pela qual uma mulher segurando
um cesto passa todos os dias.

A vida é talvez
uma corda com a qual um homem se enforca num ramo
a vida é talvez uma criança a regressar a casa da escola.

A vida é talvez acender um cigarro
na pausa narcótica entre fazer amor e fazer amor
ou o olhar ausente de um homem que passa
tirando o chapéu a um outro homem que passa
com um sorriso vazio e um bom dia.



A vida é talvez esse momento fechado
quando o meu olhar se destrói na pupila dos teus olhos
e está no sentimento
que eu irei pôr na impressão da Lua
e na percepção da Noite.

Num quarto grande como a solidão
o meu coração
que é grande como o amor
olha os simples pretextos da sua felicidade
o belo murchar das flores no vaso
a jovem árvore que plantaste no teu jardim
e o canto dos canários
que cantam para o tamanho de uma janela.

Ah
este é o meu destino
este é o meu destino
o meu destino é
um céu que desaparece com a queda de uma cortina
o meu destino é despenhar-me no voo de estrelas agora inúteis
reconquistar qualquer coisa no meio da putrefacção e da nostalgia
o meu destino é um passeio triste no jardim das memórias
e morrer na dor de uma voz que me diz
eu amo
as tuas mãos.

Irei plantar as minhas mãos no jardim
crescerei eu sei eu sei eu sei
e as andorinhas virão pôr ovos
no vazio das minhas mãos manchadas de tinta.

Vou usar
um par de cerejas gémeas como brincos
e pôr pétalas de dália nas minhas unhas
há um beco
onde os rapazes que se apaixonaram por mim
se demoram ainda com o mesmo cabelo despenteado
os mesmos pescoços finos e as mesmas pernas magras
e pensam nos sorrisos inocentes de uma rapariga
que foi levada pelo vento uma noite.



Há um beco
que o meu coração roubou
às ruas da minha infância.

A viagem de uma forma na linha do tempo
fecundando a linha do tempo com a forma
uma forma consciente de uma imagem
a regressar de uma carícia num espelho.

E é desta maneira
que alguém morre
e alguém segue vivendo.

Nenhum pescador jamais achará uma pérola num pequeno regato
que se esvazia num lago.

Eu conheço uma pequena e triste fada
que vive num oceano
e toca a flauta mágica do seu coração
suave, suavemente
pequena e triste fada
que morre com um beijo todas as noites
e com um beijo renasce a cada amanhecer.

Forough Farrokhzad

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Eu não sabia que eu tinha leitores por aqui!rs Mas uma moça chamada Larisse me deixou um comentário no texto onde postei um trecho do livro "O Pássaro Pintado", do Jerzy Kosinsky perguntando onde poderia comprar o livro... Larisse, comprei o meu no site Estante Virtual, paguei baratinho, o livro estava meio velho e acabado, mas as palavras ácidas do Jerzy só são inválidas quando apagadas, o que a idade do livro não conseguiu. Espero que ache um pra você, porque este livro vale muito a pena.
Bjs.
O tracinho piscante de escrita da página em branco da nova postagem ficou me olhando meia hora. Depois da primeira frase conclusiva, ficou me olhando mais meia hora. Nada me vinha à cabeça, depois da vírgula, não conseguia pensar em nada pra completar a frase. Olhei pela janela, escutei fogos em pleno domingo, dia 7 de fevereiro. Fiquei me perguntando porque raios estavam soltando fogos. Concluí que devia ter começado algum jogo fulano contra ciclano na tv. Sempre a Tv. Quando não a tv, forró e funk neste lugar perdido e esquecido pelo prefeito Sir. João Paulo Tavares Papa. No more críticas nem julgamentos. Cabe a cada um fazer o que lhe cabe. Cabe a mim odiar forró-calypso e funk. Cabe a mim desligar a tv quando começa jogo de futebol. Ou Big Brother Brasil. Acabei de ler um cordel do Antônio Barreto, intutulado "Big Brother Brasil, um programa imbecil". Antônio Barreto é um cara ácido. Gosto de pessoas assim. É o mesmo autor do cordel sobre o Caetano Veloso.Uma outra crítica, aliás. Caetano foi trilha sonora da minha infância num sítio em Itanhaém, porém, eram só as canções da época de tropicalista dele. Simpatizo muito mais com todos eles em fase tropicalista. Atualmente parece que enterraram seus passados e deixaram sem lápide. E eles mal conseguem recordar. Também faço isso comigo mesma, mas com meu passado "mau momento", onde creio eu que se não enterrasse e deixasse sem lápide, me renderia aos traumas e passaria a vida esperando sempre mais do mesmo. E não, definitivamente, não quero mais do mesmo. Por isso que vivo mudando de padrão. Pra nunca me estabelecer definitivamente em um. Muito sol lá fora, calor absurdo e estou pensando em ir até o cinema. Assistir Coco antes de Chanel. Me falaram muito bem desse filme. Pensei também em Avatar, mas eu realmente fujo de coisas óbvias. E acho que é por isso que hoje resolvi ir no cinema sozinha, pra fugir um pouco mais do óbvio. Lembro de um ex meu dizendo que o mundo não foi feito pra pessoas sozinhas. Mas a verdade é que elas existem e vivem muito bem com suas solidões. E sabe como é, antes só do que mal acompanhada. No meu atual humor, qualquer boa companhia seria ruim, porque hoje eu estou ruim. Por isso tenho lido coisas ácidas. Como diria Lenine, "Hoje eu quero sair só". Não, você não vai me acertar à queima roupa. Não vou terminar de cantar isso, tem um trecho que não está condizendo. Ou talvez esteja condizendo demais. O fato é que passar mais um domingo enfornada em casa não vai resolver minha vida. E calor por calor, em casa continuo passando calor. Então vou passar calor no cinema. Sozinha. Vou usar minha regata nova artsy-gothic da Sommer. Porque agora o Sommer é "Do Estilista". Vou levar meu caderninho também, pra anotar as idéias que me surgem quando penso demais. E eu realmente tenho pensado demais.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Recebi este texto por e-mail e fiquei indignada. Leiam,tirem suas conclusões e abaixo deste texto, estará minha resposta à este texto.




ESTE CIDADÃO dizia: "todos os meus heróis morreram de overdose". E era aplaudido.


É ... DEVIAM COLOCAR o texto abaixo NUM OUTDOOR LÁ NA PRAÇA CAZUZA, NO LEBLON...

Psicóloga x Cazuza!

Esta mensagem precisa ser retransmitida para todas as FAMÍLIAS!
Uma psicóloga que escreveu, corajosamente algumas verdades.

Uma psicóloga que assistiu ao filme escreveu o seguinte texto:
'Fui ver o filme Cazuza há alguns dias e me deparei com uma coisa estarrecedora.. As pessoas estão cultivando ídolos errados..
Como podemos cultivar um ídolo como Cazuza?

Concordo que suas letras são muito tocantes, mas reverenciar um marginal como ele, é, no mínimo, inadmissível.
Marginal, sim, pois Cazuza foi uma pessoa que viveu à margem da sociedade, pelo menos uma sociedade que tentamos construir (ao menos eu) com conceitos de certo e errado.
No filme, vi um rapaz mimado, filhinho de papai que nunca precisou trabalhar para conseguir nada, já tinha tudo nas mãos. A mãe vivia para satisfazer as suas vontades e loucuras. O pai preferiu se afastar das suas responsabilidades e deixou a vida correr solta.
São esses pais que devemos ter como exemplo?
Cazuza só começou a gravar porque o pai era diretor de uma grande gravadora..
Existem vários talentos que não são revelados por falta de oportunidade ou por não terem algum conhecido importante.
Cazuza era um traficante, como sua mãe revela no livro, admitiu que ele trouxe drogas da Inglaterra, um verdadeiro criminoso. Concordo com o juiz Siro Darlan quando ele diz que a única diferença entre Cazuza e Fernandinho Beira-Mar é que um nasceu na zona sul e outro não.
Fiquei horrorizada com o culto que fizeram a esse rapaz, principalmente por minha filha adolescente ter visto o filme. Precisei conversar muito para que ela não começasse a pensar que usar drogas, participar de bacanais, beber até cair e outras coisas, fossem certas, já que foi isso que o filme mostrou.
Por que não são feitos filmes de pessoas realmente importantes que tenham algo de bom para essa juventude já tão transviada? Será que ser correto não dá Ibope, não rende bilheteria?
Como ensina o comercial da Fiat, precisamos rever nossos conceitos, só assim teremos um mundo melhor.
Devo lembrar aos pais que a morte de Cazuza foi consequência da educação errônea a que foi submetido. Será que Cazuza teria morrido do mesmo jeito se tivesse tido pais que dissessem NÃO quando necessário?
Lembrem-se, dizer NÃO é a prova mais difícil de amor .
Não deixem seus filhos à revelia para que não precisem se arrepender mais tarde. A principal função dos pais é educar.. Não se preocupem em ser 'amigo' de seus filhos.
Eduque-os e mais tarde eles verão que você foi a pessoa que mais os amou e foi, é, e sempre será, o seu melhor amigo, pois amigo não diz SIM sempre.'

Karla Christine
Psicóloga Clínica





Eis aqui minha resposta à esta "psicóloga".

Não concordo com a psicóloga. Até mesmo porque vir com esse papinho de "construir uma sociedade baseado em certo/errado" só me faz crer o quão nojenta é essa sociedade que vivemos. Eu pago meus impostos, parte destes impostos vão para o salário da polícia, daí a polícia de Roraima vai e dá um tiro na cabeça do meu amigo e alega que ele se suicidou. Por bem: Este é o conceito de certo desta sociedade? E deixem o Cazuza em paz, ele era só mais um pobre coitado perdido procurando se achar.

Mas enquanto esta sociedade mata militantes que acusam o governo de descaso com a educação como foi o caso do meu amigo Chrystian Paiva, enquanto esta sociedade matar líderes de Afroreggae, eu quero mais é que todos nós sejamos assaltados por todos eles! E não se façam de vítima, porque NÓS é que permitimos os que estão à margem da sociedade de permanecer à margem, aliás, nós os forçamos a isso. Quando não damos educação de qualidade, quando não damos empregos decentes e nos preocupamos somente com nossos umbigos, nossos carros do ano e os valores de nossos holeriths, nossos luvros de nossas empresas.Educar os nossos como diz esta psicóloga é realmente mais fácil do que educar um país inteiro, porque não são somente nossos jovens que precisam de educação, mas uma sociedade inteira! Por isso quero mesmo que os marginalizados continuem obsediando a todos, inclusive a mim, podem me levar tudo, se bobear, eu ainda pago o carreto porque meus amigos e minha família valem muito mais do que todo dinheiro e todos os pertences que eu tenho.
A educação que esta psicóloga diz que está errada é a educação materialista, de uma sociedade capitalista, que só se preocupa em bens de consumo, se preocupa muito mais em ter isto ou aquilo e os outros que nada tem que se lasquem, como dizem, "são marginalizados".Os sonhos de uma sociedade se apagaram: Agora sonhamos somente com tvs de LCD, Ipods, um dia entrar na Daslu,dirigir um blindado. Mas ora, porque é que será que são marginalizados??? PORQUE SERÁ? Será que tiveram a mesma sorte de seus filhos de estudarem numa escola particular? Será? Ou será que tiveram como professores o estado, patrocinador de nossas escolas públicas, que quando um professor chega com vontade de educar realmente os jovens, acaba barrado? Morto? Porque a proposta real não é a educação: é a distração, é tirar nota e passar de ano,para que o estado tenha em seus gráficos do sistema de educação sempre em ascenção, mas mantendo os jovens dentro do mundo de felicidade artificial de MTV, Beyoncé, baile funk,Ipod,roupas de marca. A intenção é manter os jovens completamente alienados, desinformados, para que não os tirem mais do poder, como aconteceu com o Collor. E lembrem-se minha gente, Collor está de volta na política, e vai se aposentar na política! E nós patrocinamos!!!

Se este país se importasse mesmo com seu povo, icluiria os marginalizados como povo também, não como marginais que merecem apodrecer na cadeia, não como traficantes que merecem a morte, até mesmo porque é essa mesma "classe social" que paga para os traficantes continuarem trabalhando. Quem compra droga, patrocina o crime. E lembrem-se: Cigarro, álcool,medicamentos tarja preta e alimentos com agrotóxicos e industrializados também são drogas. Nós comemos drogas todos os dias nos nossos pratos, nós comemos inseticidas e pesticidas nas nossas saladas "saudáveis". Relaxem, todos somos drogados!

Danilo, desculpe o e-mail, mas eu gostaria que repassasse esse junto com o texto da psicóloga, porque os valores desta sociedade hipócrita estão completamente trocados e enquanto os assalariados ficarem julgando os criminosos como se fossem o lixo não reciclável da sociedade, ficarem discriminando os "marginalizados", eles continuarão marginalizados e não porque eles querem, mas por conta do nosso descaso com o próximo.Nós consentimos quando compramos uma ferrari ao invés de pagar algum curso profissionalizante para um desempregado.Aí o povo pensa: "mas ele não tem dinheiro pra pagar é problema dele, eu não tenho nada a ver com isso." Ora, se nada temos a ver com o fato de a maioria não ter o suficiente para uma vida digna, então que nos roubem mesmo! Não temos nada a ver com os problemas deles enquanto estes não interferem em nossa felicidade ilusória de vida perfeita/mundo perfeito.Do contrário, os julgamos, os condenamos, os criticamos. Nós consentimos que a sociedade permaneça deste jeito quando nada fazemos para mudá-la. Ou quando ficamos "analizado letras do cazuza" e julgando-no, JULGANDO UM MORTO, enquanto poderíamos nos unir para realmente modificar a sociedade de dentro pra fora. De dentro pra fora a partir do povo e se extendendo para o governo. Por exemplo? Quem vai votar na Dilma? Hein? Vão votar nela, psicólogos? Estes políticos patéticos é que são os verdadeiros marginais, que se fingem de políticos para nos roubarem. Façam-me um favor: ou votem na Marina Silva, ou votem nulo. Não dêem pérolas aos porcos, não distribuam seus preciosos votos para esta corja de porcos imundos e patrocinadores de bandidos e assassinos!
Portanto, minha gente, quando olharem para um "Marginal", não o veja somente como um marginal, o ENXERGUE como um ser humano com tanto potencial quanto você, porém, que não teve as mesmas oportunidades como você. Nem a mesma educação que você.
O povo nada mais é do que um elefante de circo que quando filhote, cresceu amarrado sob um toco de madeira e depois de grande, ainda acha que está amarrrado num toco, preso às circunstâncias, sem saber da sua real força...

Termino isto com uma letra que diz bem o "marginal" da sociedade.



Até Quando?
Gabriel Pensador
Composição: Gabriel o Pensador; Itaal Shur; Tiago Mocotó
Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer
Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura
(Refrão)
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?
(Repete refrão)
Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante
É tudo flagrante
(Refrão x2)
A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário
(Refrão x2)
A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco
A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você
Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado que eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá
Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar
Escola, esmola
Favela, cadeia
Sem terra, enterra
Sem renda, se renda. Não, não
(Refrão x2)
Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro
(Refrão)

Bjos aos que ainda se importam com os margializados, PORQUE SOMOS TODOS MARGINALIZADOS quando fechamos nossos olhos e ignoramos a realidade deste país.
Denise Azevedo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009


Ahhh... você está vindo, está a caminho... Se formando calmamente aí dentro pra curtir ao máximo a vida maluca e deslumbrante que acontece aqui fora. E eu babo, cada dia mais e mais, eu babo. Tia babona vai acabar nadando na própria baba. rs Você está com quatro meses agora. Descobrimos que você é um menino, um menininho lindo que está sendo aguardado anciosamente aqui fora. Um menininho que a tia aqui já ama demais da conta, que conta os dias pra você chegar, que planeja fazer coisinhas para decorar seu quarto, que vai fazer lembrancinhas para o seu nascimento, que quer fazer almofadas, travesseirinhos e até um cobertorzinho pra você. A titia outsider, artesã, costureira, modista, cantora meia-boca, enfim... A mesma tia que vai fazer roupinhas pra você, que com certeza vai te comprar um all star...rs A tia que chora enquanto escreve, imaginando quem é que vai chorar mais quando te ver: a sua mãe Lu, seu pai Mauro, o vovô ou a vovó, ou a titia babona aqui.rs Não importa, afinal, porque todos nós já te amamos muito, já sonhamos com a sua chegada, já fazemos planos para que sua estada aqui nesta terra seja o mais feliz e mais confortável possível... Já planejamos mimos, seus pais já planejam sua educação e a única coisa que está completamente fora dos planos é esse amor infinito por você que já mora nos nossos peitos... Um amor incomensurável, incalculável, que nossas palavras sempre serão insuficientes para te dizer com exatidão. Só podemos sentir, desejando que você também sinta, que você perceba a cada abraço, a cada olhar...
Querido, cujo nome seus pais ainda não escolheram, saiba que seu sobrenome é amor, porque esse amor se alojou dentro de nós muito antes de escolherem seu nome! Esperamos anciosamente sua chegada, mas não tenha pressa!rs Chegue na hora certa, se prepare por aí que nos preparamos por aqui. E tenha certeza, pequeno: Todo amor que hover nessa vida estará sempre com você. Já te amamos e te amaremos sempre.
Tia "babona", Dê.